Engenex, MS Brasil e o empresário André Patrola reaparecem em operação que investiga contratos superiores a R$ 100 milhões firmados com a Prefeitura de Três Lagoas
A Operação Máquinas de Areia não chamou a atenção apenas pelos mais de R$ 100 milhões em contratos investigados. Um detalhe rapidamente despertou a atenção de quem acompanha as grandes operações de combate à corrupção em Mato Grosso do Sul: os principais alvos já haviam aparecido em investigações anteriores do Ministério Público.
Empresas, empresários e endereços conhecidos do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) voltaram a receber equipes de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (6), indicando que linhas de investigação abertas anos atrás continuam produzindo novos desdobramentos.
Entre os nomes que voltam ao centro das apurações estão a Engenex Construções e Serviços, a MS Brasil Comércio e Serviços e o empresário André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola.
Engenex volta ao noticiário policial
Logo nas primeiras horas da operação, equipes do Gecoc estiveram na sede da Engenex Construções e Serviços, na Vila Cidade Morena, em Campo Grande.
Segundo informações divulgadas sobre a operação, os investigadores permaneceram durante boa parte da manhã no local recolhendo documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que poderão subsidiar a continuidade das investigações.
A cena chamou atenção porque não é a primeira vez que a empresa recebe a visita do Ministério Público.
Em 2023, a Engenex já havia sido alvo da Operação Cascalhos de Areia, investigação que apurava suspeitas envolvendo contratos milionários para manutenção de vias sem pavimentação e locação de maquinário pesado.
Agora, pouco mais de três anos depois, a empresa volta a aparecer em uma nova operação do Gecoc.
O nome de André Patrola reaparece
Outro personagem conhecido das investigações é o empresário André Luiz dos Santos, o André Patrola.
Conforme divulgado por veículos de imprensa nesta quinta-feira, equipes do Ministério Público também cumpriram mandados em imóveis ligados ao empresário.
Nas investigações, o Ministério Público trabalha com a hipótese de que Patrola seria o verdadeiro controlador de empresas que, formalmente, aparecem registradas em nome de terceiros.
Até a publicação desta reportagem, a defesa do empresário ainda não havia apresentado manifestação pública sobre a operação.
Edcarlos aparece como sócio formal
Embora as investigações apontem para a apuração de eventual controle indireto das empresas, os registros públicos da Receita Federal indicam que Edcarlos Jesus da Silva figura como sócio-proprietário formal da Engenex Construções e Serviços e da MS Brasil Comércio e Serviços.
É justamente essa estrutura societária que também está sendo analisada pelos investigadores.
O objetivo é esclarecer quem efetivamente administrava os contratos públicos investigados e qual era a participação de cada pessoa física e jurídica.
MS Brasil também entra na investigação
Outra empresa citada nas investigações é a MS Brasil Comércio e Serviços Eireli.
Segundo informações disponíveis no Portal da Transparência de Três Lagoas e reproduzidas por veículos de imprensa, a empresa possui contrato que, após aditivos, ultrapassa R$ 51,9 milhões.
O contrato agora integra o conjunto de documentos analisados pelo Ministério Público dentro da Operação Máquinas de Areia.
Os investigadores buscam verificar se os pagamentos realizados correspondem aos serviços efetivamente executados.
O elo entre as empresas
As apurações do Ministério Público procuram esclarecer se existia uma atuação coordenada entre empresas que participavam de licitações e posteriormente executavam os contratos.
Essa linha investigativa ganhou força ainda na Operação Cascalhos de Areia, quando promotores passaram a analisar a relação entre empresas do mesmo segmento que disputavam licitações e, posteriormente, apareciam compartilhando estrutura, maquinário ou prestação dos serviços.
Agora, a nova operação amplia esse trabalho investigativo, desta vez concentrando esforços em contratos celebrados pela Prefeitura de Três Lagoas entre 2018 e 2026.
Um histórico que chama atenção
O fato de empresas investigadas em uma operação anterior voltarem a ser alvo de buscas em uma nova investigação não significa, por si só, que houve prática criminosa ou responsabilidade dos envolvidos.
Entretanto, evidencia que o Ministério Público continua aprofundando uma linha de investigação iniciada anos atrás e que agora alcança novos contratos, novos documentos e novos elementos de prova.
A expectativa é que a análise do material apreendido permita esclarecer se existe ligação entre as investigações conduzidas em 2023 e os fatos agora apurados na Operação Máquinas de Areia.