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Secretário nomeado por Ângelo Guerreiro foi mantido por Cassiano Maia na pasta que hoje está no centro da Operação Máquinas de Areia

Secretaria de Infraestrutura, alvo de buscas do MPMS, manteve o mesmo comando durante as duas administrações; contratos investigados somam mais de R$ 100 milhões

A Operação Máquinas de Areia, deflagrada nesta quinta-feira (6) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), não repercute apenas pelo volume de recursos investigados. Ao colocar sob análise contratos e aditivos que ultrapassam R$ 100 milhões, a operação também lança luz sobre a estrutura administrativa responsável pela execução e fiscalização desses serviços ao longo dos últimos oito anos.

Um dos pontos que mais chamam atenção é a continuidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seintra), uma das principais pastas da Prefeitura de Três Lagoas e um dos locais que recebeu equipes do Ministério Público durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

À frente da secretaria está Osmar Dias Pereira, servidor que construiu sua trajetória dentro da própria pasta e que permaneceu no cargo mesmo após a troca de governo.

Nomeado por Ângelo e mantido por Cassiano

Osmar Dias Pereira integra a estrutura da Secretaria de Infraestrutura desde 2015. Bacharel em Administração e Logística, ele ocupou o cargo de diretor de Serviços Públicos até abril de 2022, quando foi escolhido pelo então prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) para assumir a chefia da Seintra.

Na época, a nomeação foi publicada no Diário Oficial dos Municípios. Além da experiência na pasta, Osmar cursava Engenharia Civil, perfil técnico que pesou para sua escolha.

Com a eleição de Cassiano Rojas Maia (PP) e a mudança no comando da Prefeitura, uma das decisões da nova administração foi manter Osmar à frente da Secretaria de Infraestrutura.

Na prática, a principal pasta responsável pelos contratos agora investigados pelo Ministério Público permaneceu sob o mesmo comando técnico durante parte das duas administrações abrangidas pela investigação.

Por que a Seintra é estratégica para a investigação?

A resposta está no próprio objeto da Operação Máquinas de Areia.

Segundo o Ministério Público, as suspeitas recaem sobre contratos de locação de caminhões, máquinas e equipamentos pesados, além de obras de infraestrutura e revestimento primário de vias públicas.

Todos esses contratos passam, direta ou indiretamente, pela Secretaria de Infraestrutura, responsável pela gestão, fiscalização, medições, acompanhamento das obras e tramitação administrativa desses serviços.

Foi justamente por isso que promotores, integrantes do Gaeco e equipes de apoio cumpriram mandado de busca na secretaria, recolhendo documentos e outros materiais que poderão auxiliar no avanço das investigações.

A operação atravessa duas administrações

Outro aspecto que amplia a repercussão política é o período analisado pelo Ministério Público.

Os contratos investigados abrangem os anos de 2018 a 2026, coincidindo com parte da gestão do ex-prefeito Ângelo Guerreiro, hoje pré-candidato a deputado estadual pelo PSDB, e também com a atual administração do prefeito Cassiano Maia.

Isso significa que os investigadores deverão analisar contratos, aditivos, medições, ordens de serviço, notas fiscais e demais documentos produzidos em diferentes momentos da administração municipal.

A abrangência temporal da investigação naturalmente aumenta o interesse público sobre os mecanismos de controle adotados pela Prefeitura ao longo desses anos.

O que já se sabe e o que ainda não foi atribuído

Apesar da repercussão política, o Ministério Público foi objetivo ao divulgar o foco da investigação.

Segundo o MPMS, a apuração está concentrada na atuação de uma suposta organização criminosa formada por empresários e servidores públicos, suspeita de fraudar a execução de contratos públicos.

Até o momento, não há informação oficial de que o ex-prefeito Ângelo Guerreiro, o prefeito Cassiano Maia ou o secretário Osmar Dias Pereira sejam investigados, tenham sido alvo de mandados de busca ou respondam a medidas judiciais relacionadas à Operação Máquinas de Areia.

Essa distinção é importante: o fato de os contratos terem sido executados durante diferentes administrações e de a secretaria ter mantido o mesmo comando não significa, por si só, atribuição de responsabilidade.

O impacto político é inevitável

Mesmo sem atribuição formal de responsabilidade aos chefes do Executivo ou ao secretário, a operação inevitavelmente repercute no cenário político de Três Lagoas.

Ângelo Guerreiro está em pré-campanha para uma cadeira na Assembleia Legislativa, enquanto Cassiano Maia administra um dos principais municípios do Estado. Em ano eleitoral, uma investigação envolvendo contratos superiores a R$ 100 milhões tende a influenciar o debate sobre gestão pública, fiscalização de recursos e eficiência dos mecanismos de controle interno.

Também aumenta a expectativa por posicionamentos da Prefeitura e dos agentes públicos sobre os contratos investigados e sobre as medidas adotadas para acompanhar sua execução.

Os próximos passos da investigação

Com o material apreendido durante as buscas, o Ministério Público iniciará uma nova etapa da apuração.

Os investigadores deverão confrontar documentos administrativos, medições de obras, notas fiscais, ordens de serviço, registros financeiros e demais elementos para verificar se os pagamentos realizados pelo município correspondiam aos serviços efetivamente prestados.

A depender do resultado dessa análise, o caso poderá ter novos desdobramentos, incluindo novas fases da operação, denúncias criminais, ações de ressarcimento ao erário e outras medidas judiciais.

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Três Lagoas informou que estava reunindo informações para divulgar uma manifestação oficial.

O Contribuinte mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura, do ex-prefeito Ângelo Guerreiro, do prefeito Cassiano Maia, do secretário Osmar Dias Pereira, das empresas mencionadas e de seus representantes legais, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.