Mãe solo e proprietária do Ateliê Riqueza de Detalhes, Luana Paula teve a candidatura a deputada estadual homologada pelo Novo nesta quarta-feira
Conhecida como Luana Riqueza por causa do empreendimento que construiu no setor de produtos personalizados, Luana Paula foi homologada candidata a deputada estadual pelo Partido Novo em Mato Grosso do Sul.
A confirmação ocorreu durante a convenção estadual da legenda, realizada nesta quarta-feira, 5 de agosto, em Campo Grande. O encontro também oficializou as candidaturas majoritárias e as nominatas do partido para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.
Estreante na disputa eleitoral, Luana chega à política depois de construir uma trajetória ligada ao comércio popular, ao trabalho autônomo e ao empreendedorismo.
Antes de se tornar proprietária do Ateliê Riqueza de Detalhes, ela já havia trabalhado com uma banca no Camelódromo de Campo Grande. Com o passar dos anos, consolidou sua atuação no mercado de personalizados, produzindo camisetas, bonés, roupas, chaveiros, acessórios e outros objetos feitos de acordo com as encomendas dos clientes.
Foi a partir do nome do ateliê que Luana Paula passou a ser conhecida como Luana Riqueza.
Agora, ela tenta transformar a experiência de quem administra um pequeno negócio, cria um filho sozinha e enfrenta a rotina de trabalho em uma plataforma de representação política.
Uma trajetória construída fora dos gabinetes
Ao contrário de candidatos que chegam às eleições depois de ocupar cargos públicos ou funções partidárias, Luana apresenta como principal credencial a própria experiência no mercado de trabalho.
Sua trajetória foi construída entre atendimento ao público, produção de encomendas, busca por clientes, pagamento de fornecedores e administração das contas do negócio.
Essa realidade aproxima a candidata de trabalhadores autônomos, comerciantes, artesãos, prestadores de serviços e pequenos empresários que dependem diretamente do movimento diário para manter a renda.
Luana representa um segmento que sente os efeitos das decisões políticas e econômicas, mas que nem sempre encontra espaço nos ambientes onde essas medidas são formuladas.
A candidatura pelo Novo surge justamente com a proposta de levar essa experiência cotidiana para dentro da Assembleia Legislativa.

Do comércio popular ao próprio ateliê
A passagem pelo Camelódromo marcou uma das primeiras etapas da trajetória profissional de Luana.
O comércio popular exige contato direto com o consumidor, capacidade de adaptação e atenção permanente às mudanças no poder de compra da população.
Foi nesse ambiente que ela acumulou experiência em vendas e começou a construir o caminho que posteriormente resultaria no Ateliê Riqueza de Detalhes.
No empreendimento, Luana passou a trabalhar com a personalização de peças e objetos para clientes, empresas, eventos e diferentes ocasiões.
O setor faz parte da chamada economia criativa, que reúne pequenos negócios baseados em produção artesanal, design, estamparia, costura e personalização.
Muitos desses empreendimentos começam dentro da própria residência e crescem a partir das redes sociais, das indicações de clientes e do trabalho realizado sob encomenda.
É uma atividade marcada por concorrência, custos de matéria-prima, dificuldades de acesso ao crédito e necessidade constante de inovação.
Crises despertaram maior atenção para a política
A aproximação de Luana com a política ganhou força depois que a empreendedora enfrentou momentos de dificuldade na manutenção de seu negócio.
As crises econômicas e a redução do poder de compra da população afetaram diretamente o mercado no qual ela atua. Quando as famílias precisam reorganizar o orçamento, produtos personalizados e encomendas para eventos estão entre os itens que podem sofrer redução na procura.
A partir dessa experiência, Luana passou a acompanhar mais de perto decisões tomadas pelos governos e seus efeitos sobre os pequenos empreendedores.
A candidata atribui parte do atual cenário de dificuldades à política econômica do Governo Lula, principalmente ao aumento dos custos, à pressão sobre o orçamento das famílias e à insegurança enfrentada por quem depende do próprio negócio.
Essa percepção levou Luana a deixar a posição de observadora e buscar participação direta na política.
Sua entrada na disputa eleitoral representa, portanto, uma tentativa de transformar dificuldades vividas no cotidiano em atuação institucional.
Mãe solo e responsável pelo próprio negócio
Além da trajetória profissional, a maternidade solo é parte central da história de Luana.
Ela precisou conciliar a criação do filho com a responsabilidade de manter o empreendimento, atender clientes e garantir a renda da família.
A realidade é semelhante à de milhares de mulheres que acumulam funções dentro de casa e no mercado de trabalho.
Para essas mulheres, empreender muitas vezes não surge apenas como uma escolha profissional, mas como uma alternativa para alcançar autonomia financeira e organizar os horários de acordo com as necessidades dos filhos.
Ao entrar na política, Luana pretende representar mulheres que sustentam suas famílias, administram pequenos negócios e enfrentam dificuldades para obter crédito, qualificação e apoio para expandir suas atividades.
A candidatura também amplia a presença feminina na nominata do Novo para a Assembleia Legislativa.
Da rotina de trabalho para a campanha eleitoral
A homologação impõe uma nova etapa na vida da empreendedora.
Luana precisará conciliar a rotina do ateliê, as responsabilidades familiares e as atividades de campanha em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
Essa dificuldade, que poderia ser considerada uma limitação, deverá ser apresentada como parte da identidade da candidatura.
Luana pretende mostrar ao eleitor que conhece a falta de tempo enfrentada por quem trabalha por conta própria e que sua entrada na política não nasceu de uma carreira construída em gabinetes.
A campanha deverá utilizar a experiência no empreendedorismo para discutir temas como burocracia, carga tributária, acesso ao crédito, qualificação profissional, incentivo à economia criativa e oportunidades para mulheres.
Representação de quem permanece distante da política
Um dos principais desafios de Luana será alcançar pessoas que, assim como ela até pouco tempo atrás, acompanham a política apenas pelos efeitos que as decisões provocam no cotidiano.
São cidadãos que passam a maior parte do dia trabalhando, administrando pequenos negócios e cuidando da família.
Muitos não participam de reuniões partidárias, não ocupam cargos públicos e não possuem relação direta com lideranças tradicionais.
Mesmo assim, são afetados por impostos, inflação, juros, burocracia, regras trabalhistas e decisões sobre o funcionamento da economia.
A candidatura de Luana tenta ocupar esse espaço, apresentando a visão de quem está na ponta e precisa lidar com as consequências práticas das políticas públicas.
Renovação dentro do Partido Novo
Dentro do Novo, Luana passou a ser apresentada como um dos nomes de renovação para a disputa proporcional.
Seu perfil reúne características valorizadas pela legenda: experiência no setor privado, ausência de mandato político, atuação empreendedora e defesa de menor burocracia para quem produz e gera renda.

Luana não chega à campanha sustentada por uma longa trajetória partidária.
Seu principal ativo será a história pessoal construída no comércio, no empreendedorismo e na maternidade.
A homologação desta quarta-feira formaliza a passagem de uma cidadã que acompanhava os problemas políticos de fora para uma candidata que agora pretende participar diretamente das decisões.
Convenção confirmou chapa completa do Novo
A candidatura de Luana foi homologada no mesmo encontro que confirmou João Henrique Catan para o Governo de Mato Grosso do Sul.
A legenda também aprovou Antônio João Jacintho para vice-governador e Roberto Oshiro para o Senado.
Chapa majoritária
Governo: João Henrique Catan
Vice-governador: Antônio João Jacintho
Senado: Roberto Oshiro
Primeiro suplente: Augusto Alessio, da Soldamaq
Segundo suplente: não informado durante a convenção
Candidatos a deputado federal
Victória Peixoto, de Campo Grande
Miriam Gimenez, de Campo Grande
Carol Mourão, de Campo Grande
Luiz Orícirio, de Campo Grande
Wesley Dias, de Três Lagoas
Subtenente Mota, de Campo Grande
Professor Eduardo Ferrufino, de Corumbá
Charles Gama, de Campo Grande
Jeder Brunão, de Campo Grande
Candidatos a deputado estadual
Eunice Tikka, de Naviraí
Gislaine Brito, de Campo Grande
Luana Riqueza, de Campo Grande
Lucimara Palacios, de Dourados
Rosana, de Jardim
Walkiria Silva, de Campo Grande
Sônia Peixoto, de Guia Lopes da Laguna
Ton Borges, de Bonito
Renan Silva, de Campo Grande
André Baird, de Costa Rica
Zé Trovão, de Campo Grande
Richard, de Chapadão do Sul
Saymon Pereira, de Campo Grande
Diego Carvalho, de Campo Grande
Frank Valdez, de Campo Grande
Thiago Loureiro, de Campo Grande
Professor JF, de Dourados
Marcos Guimarães, de Nova Andradina
Christiano Mendes, de Campo Grande
Sidney de Paula, de Dourados
Josiel Quirino Vieira, de Campo Grande
Professor Leonardo, de Dourados
Experiência pessoal como capital político
Luana começa a disputa sem mandato e sem a estrutura construída ao longo de anos por políticos tradicionais.
Em contrapartida, pretende utilizar como capital eleitoral a experiência acumulada no trabalho e na administração de um pequeno negócio.
Da banca no Camelódromo ao Ateliê Riqueza de Detalhes, sua trajetória foi marcada pela necessidade de criar oportunidades e buscar renda por conta própria.
A candidatura representa uma mudança de posição: de alguém que sentia os impactos da política na rotina do empreendimento para uma mulher que agora pretende participar da elaboração das leis estaduais.
Ao ser homologada pelo Novo, Luana Riqueza entra oficialmente na corrida por uma cadeira na Assembleia Legislativa com a proposta de representar quem empreende, trabalha e sustenta a família longe das estruturas tradicionais de poder.