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João Henrique Catan oficializa candidatura ao Governo com chapa própria e discurso de renovação

Último candidato homologado na disputa estadual terá o produtor rural Antônio João Jacintho como vice; partido também confirmou Roberto Oshiro ao Senado e nominatas proporcionais

O Partido Novo oficializou o deputado estadual João Henrique Miranda Soares Catan como candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul nas Eleições de 2026.

A homologação ocorreu durante a convenção estadual da legenda, realizada nesta quarta-feira, dia 5, em Campo Grande, último dia do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para a escolha dos candidatos.

Com a confirmação, Catan tornou-se o último nome homologado para a disputa pelo Governo do Estado. O Novo também foi o último partido a realizar sua convenção em Mato Grosso do Sul, encerrando o calendário estadual de definição das candidaturas.

Esta será a primeira vez que João Henrique Catan, de 38 anos, disputará o comando do Estado. Advogado e deputado estadual, ele chega à eleição após construir uma atuação marcada pela oposição ao atual governo e pela defesa de mudanças no modelo político e econômico de Mato Grosso do Sul.

O candidato a vice-governador será o economista, produtor rural e pecuarista Antônio João Jacintho, de 54 anos, ligado ao município de Bonito.

A composição confirma uma chapa formada integralmente pelo Novo, sem participação de outras legendas na disputa majoritária.

O partido também homologou o advogado tributarista Roberto Oshiro como candidato ao Senado. O empresário Augusto Alessio, proprietário da Soldamaq, foi indicado como primeiro suplente. O segundo suplente ainda não havia sido definido durante a convenção.

Além da chapa majoritária, o Novo apresentou nove candidatos à Câmara dos Deputados e 22 nomes para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Convenção encerra período de definições

O encontro ocorreu no espaço 67 Garden, no Jardim dos Estados, em Campo Grande. O local reservado para a convenção recebeu filiados, apoiadores, candidatos e integrantes das equipes que participarão da campanha.

A escolha da data colocou o Novo no encerramento do calendário de convenções. A quarta-feira, dia 5, foi o último dia previsto pela legislação eleitoral para que partidos e federações definissem seus candidatos e eventuais coligações.

A realização da convenção no limite do prazo também representou o desfecho de semanas de articulação para a construção da chapa liderada por Catan.

O deputado havia deixado o Partido Liberal após mudanças no comando e na estratégia eleitoral da legenda em Mato Grosso do Sul. No Novo, encontrou espaço para disputar um cargo majoritário e manter seu projeto de candidatura ao Governo.

Candidatura fora da grande aliança estadual

A candidatura de Catan nasce fora da ampla composição partidária formada em torno do governador Eduardo Riedel, do Progressistas, que disputará a reeleição.

Riedel reuniu nove partidos em sua coligação: Progressistas, União Brasil, PL, PSDB, Cidadania, MDB, Republicanos, Avante e PSD. A chapa também confirmou o vice-governador Barbosinha, do Republicanos, novamente como candidato a vice.

Ao Senado, a aliança terá o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos filiados ao PL.

Catan, por outro lado, optou por não participar da união de centro-direita construída pelo atual governador. A decisão preserva o espaço do deputado como um dos principais opositores de Riedel e coloca o Novo como uma alternativa independente dentro da eleição estadual.

A composição também estabelece uma disputa pelo eleitorado conservador e de direita. Enquanto o PL passou a fazer parte da aliança governista, Catan sustenta que o Novo representará uma candidatura de oposição e renovação.

Saída do PL e reorganização política

João Henrique Catan era filiado ao PL e atuava na Assembleia Legislativa como uma das principais vozes contrárias à administração estadual.

A situação dentro do partido mudou depois que Reinaldo Azambuja assumiu o comando regional da legenda. Sob a nova direção, o PL passou a integrar o projeto de reeleição de Eduardo Riedel.

Na eleição de 2022, Catan esteve entre os apoiadores de Capitão Contar, que disputou o Governo do Estado contra Riedel. Naquele momento, Contar era filiado ao PRTB e representava uma candidatura identificada com o bolsonarismo e com a oposição ao grupo de Reinaldo Azambuja.

O cenário político foi alterado ao longo dos quatro anos seguintes. Contar ingressou no PL e agora disputará o Senado dentro da coligação que apoia a reeleição de Riedel. Reinaldo também será candidato ao Senado pela mesma chapa.

Catan não acompanhou essa reorganização. Sem espaço para uma candidatura majoritária no PL, deixou a legenda e filiou-se ao Novo, que abriu caminho para sua entrada na disputa pelo Governo.

A movimentação transformou antigos aliados em integrantes de projetos eleitorais adversários.

Chapa própria como identidade eleitoral

Ao lançar uma chapa formada apenas pelo Novo, Catan aposta em uma campanha sem os compromissos decorrentes de uma grande coligação partidária.

A estratégia permite ao candidato assumir uma posição mais livre para criticar o governo, as alianças construídas nos últimos meses e o modelo político vigente no Estado.

Por outro lado, a candidatura enfrentará uma diferença significativa de estrutura. A coligação de Riedel deverá concentrar a maior parcela do tempo de propaganda eleitoral gratuita e dos recursos disponíveis para a campanha.

A distribuição do tempo de rádio e televisão e dos recursos partidários considera, entre outros fatores, a representação das legendas na Câmara dos Deputados.

O Novo terá uma estrutura mais enxuta e deverá concentrar sua campanha na atuação de Catan como deputado, nas agendas presenciais, no contato com setores produtivos e na comunicação pelas redes sociais.

O partido pretende transformar a ausência de grandes alianças em um ativo político, apresentando a chapa como uma alternativa aos grupos que tradicionalmente comandam a política estadual.

Projeto de renovação

Durante a convenção, Catan apresentou a candidatura como parte de um projeto de renovação para Mato Grosso do Sul.

“Vamos renovar Mato Grosso do Sul. Para isso, nós temos que renovar o voto e a confiança em um projeto realmente verdadeiro para um futuro melhor, para um futuro novo de Mato Grosso do Sul. Vamos fazer um Mato Grosso do Sul melhor”, afirmou.

O candidato também se apresentou como admirador do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, principal liderança nacional do Novo.

A campanha deverá explorar propostas relacionadas à valorização dos servidores públicos, revisão dos incentivos fiscais, reformulação do Fundersul, simplificação dos licenciamentos ligados à atividade rural e ampliação dos investimentos em infraestrutura.

Catan também pretende manter como bandeiras eleitorais temas já explorados em seu mandato, entre eles a cobrança sobre os dependentes da Cassems e os critérios de distribuição do ICMS entre os municípios.

Seis candidatos ao Governo

Com a homologação de João Henrique Catan, Mato Grosso do Sul passou a ter seis candidatos confirmados ao Governo:

Eduardo Riedel, do Progressistas;
Fábio Trad, do PT;
Renato Gomes, do DC;
Lucien Rezende, do PSOL;
Jeferson Bezerra, do Agir;
João Henrique Catan, do Novo.

Após a realização das convenções, os partidos precisam encaminhar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral.

Somente depois do cumprimento das etapas previstas na legislação e da abertura oficial do período de campanha os candidatos poderão pedir votos formalmente.

Candidatos a deputado federal pelo Novo

O partido apresentou nove nomes para a Câmara dos Deputados:

Victória Peixoto, de Campo Grande;
Miriam Gimenez, de Campo Grande;
Carol Mourão, de Campo Grande;
Luiz Orícirio, de Campo Grande;
Wesley Dias, de Três Lagoas;
Subtenente Mota, de Campo Grande;
Professor Eduardo Ferrufino, de Corumbá;
Charles Gama, de Campo Grande;
Jeder Brunão, de Campo Grande.

Candidatos a deputado estadual pelo Novo

Para a Assembleia Legislativa, foram confirmados 22 candidatos:

Eunice Tikka, de Naviraí;
Gislaine Brito, de Campo Grande;
Luana Riqueza, de Campo Grande;
Lucimara Palacios, de Dourados;
Rosana, de Jardim;
Walkiria Silva, de Campo Grande;
Sônia Peixoto, de Guia Lopes da Laguna;
Ton Borges, de Bonito;
Renan Silva, de Campo Grande;
André Baird, de Costa Rica;
Zé Trovão, de Campo Grande;
Richard, de Chapadão do Sul;
Saymon Pereira, de Campo Grande;
Diego Carvalho, de Campo Grande;
Frank Valdez, de Campo Grande;
Thiago Loureiro, de Campo Grande;
Professor JF, de Dourados;
Marcos Guimarães, de Nova Andradina;
Christiano Mendes, de Campo Grande;
Sidney de Paula, de Dourados;
Josiel Quirino Vieira, de Campo Grande;
Professor Leonardo, de Dourados.