Defesa sustentou que a médica não integra o núcleo apontado pelo Ministério Público como responsável por comandar a suposta organização criminosa. Rossana Paroschi Jafar e os filhos Felipe e Giovanni permanecem presos, enquanto Heyder Bartz segue foragido.
A médica Olívia Paroschi Jafar deixou a prisão no último sábado (18), após decisão da Justiça que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. A liberdade foi concedida mediante o pagamento de fiança de R$ 20 mil, além da imposição do uso de tornozeleira eletrônica e da obrigação de comparecimento periódico à Justiça.
Segundo a advogada Estella Bauermeister, que assumiu recentemente a defesa da médica, a decisão foi tomada após a apresentação de manifestação técnica na qual a defesa sustentou que Olívia não integra o núcleo apontado pelo Ministério Público como responsável por chefiar a suposta organização criminosa investigada na Operação Gutenberg.
Além da monitoração eletrônica, Olívia deverá cumprir outras determinações judiciais, entre elas não manter contato com familiares que permanecem presos em razão da operação.
Família continua no centro da investigação
Embora Olívia tenha obtido a liberdade provisória, a maior parte do núcleo familiar investigado continua presa.
Permanecem presos Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Gaeco como uma das líderes da suposta organização criminosa, além dos filhos Felipe Paroschi Jafar e Giovanni Paroschi Jafar.
Outro nome que segue sendo procurado é o empresário Heyder Bartz, considerado foragido desde o cumprimento dos mandados de prisão expedidos durante a Operação Gutenberg.
Segundo o Ministério Público, Heyder integra, ao lado de Rossana Paroschi Jafar e Francisco Anízio dos Santos, o núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante, apontada como peça central do suposto esquema investigado.
Prisões começam a mudar de cenário
Desde a deflagração da operação, algumas decisões judiciais passaram a alterar o quadro inicial das prisões.
Além de Olívia, também obtiveram liberdade com medidas cautelares Jéssyca Duarte Burgatt, Joatan Gomes Peixoto e Geancarlo Leal de Freitas, todos submetidos a determinações impostas pela Justiça.
Apesar dessas mudanças, a investigação permanece em andamento e a maior parte das acusações formuladas pelo Ministério Público ainda será analisada durante a tramitação da ação penal.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em 7 de julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de utilizar a estrutura da regulação da saúde pública para favorecer contratos de aquisição de livros paradidáticos por prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, o grupo utilizaria a liberação de exames, consultas, cirurgias e leitos hospitalares como mecanismo de pressão sobre gestores municipais, condicionando o atendimento de pacientes à contratação da Editora Avante por meio de procedimentos direcionados de inexigibilidade de licitação.
O relatório também aponta que o grupo forneceria orientações completas para a elaboração dos processos administrativos, incluindo estudos técnicos, pareceres jurídicos e documentos necessários para formalizar as contratações. A investigação estima que o suposto esquema tenha movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos e atribui papéis específicos a diversos investigados, conclusões que ainda serão submetidas ao contraditório, à ampla defesa e ao julgamento pelo Poder Judiciário.