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Lula acusa Polícia Federal de vazar investigação sobre Lulinha para a imprensa

Presidente afirmou que informações da investigação envolvendo Fábio Luís estariam sendo repassadas à imprensa; declaração foi feita durante sabatina do Jornal Nacional nesta quinta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma grave acusação contra a Polícia Federal durante a sabatina promovida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (27). Questionado sobre a investigação envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Lula afirmou que informações do inquérito estariam sendo vazadas pela própria PF para a imprensa.

“A PF está vazando as coisas para a imprensa”, declarou o presidente ao vivo.

A afirmação chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas também por partir do próprio chefe do Executivo federal contra uma das principais instituições responsáveis por investigações criminais no país.

Durante a entrevista, Lula procurou desqualificar parte das informações que vêm sendo divulgadas sobre o caso envolvendo Lulinha, classificando-as como “ilações” baseadas em conversas interceptadas e materiais reunidos pelos investigadores.

“Ilações, ilações e ilações, tiradas de telefonemas”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o presidente disse que não pretende proteger o próprio filho caso alguma irregularidade seja comprovada.

“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá de pagar. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal”, declarou.

As duas falas, feitas praticamente dentro do mesmo contexto, criaram um dos momentos mais tensos da sabatina.

De um lado, Lula afirmou que não interferirá na atuação dos investigadores. De outro, acusou a própria Polícia Federal de repassar informações sigilosas para jornalistas.

Acusação sem apresentação de provas durante entrevista

Durante a sabatina, Lula não apresentou provas de que agentes ou integrantes da Polícia Federal tenham efetivamente repassado ilegalmente informações do inquérito à imprensa.

A acusação, portanto, partiu diretamente do presidente, mas não foi acompanhada, naquele momento, da indicação de quem teria promovido os supostos vazamentos ou de quais providências teriam sido adotadas pelo governo para apurar o episódio.

Caso informações protegidas por sigilo tenham sido efetivamente divulgadas de maneira ilegal, trata-se de uma situação que exige apuração.

Por outro lado, atribuir diretamente à Polícia Federal a responsabilidade pelo vazamento de informações de uma investigação também constitui uma acusação relevante e que demanda comprovação.

Investigação envolvendo Lulinha

O assunto surgiu já no início da sabatina.

A primeira pergunta direcionada a Lula tratou das investigações envolvendo Fábio Luís e pessoas ligadas ao entorno presidencial.

Entre os nomes mencionados durante a entrevista está o da lobista Roberta Luchsinger.

Segundo o material apresentado na investigação citado durante a sabatina, a Polícia Federal analisa possíveis relações econômicas entre Roberta e Lulinha.

Roberta também aparece ligada a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

O presidente negou conhecer a lobista e chegou a chamá-la de “pilantra” durante a entrevista.

“Não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça”, afirmou Lula.

A declaração passou a ser questionada nas redes sociais depois da divulgação de fotografias antigas em que Lula e Roberta aparecem juntos.

Lula diz que filho terá de responder se houver crime

Apesar das críticas à forma como as informações da investigação chegaram ao conhecimento público, Lula tentou estabelecer uma linha de separação entre sua função como presidente e a condição de pai.

Disse que Lulinha deverá responder caso seja comprovado qualquer ato ilícito.

A manifestação foi semelhante à postura adotada pelo presidente ao falar sobre Marcola.

Durante a entrevista, Lula afirmou que o antigo auxiliar sabe que teria cometido um erro e deverá responder por suas próprias condutas.

“Ele cometeu o erro e pagará pelo erro”, afirmou.

PF entra no centro da defesa de Lula

A fala contra a Polícia Federal acrescentou um componente institucional a uma entrevista que, até aquele momento, já estava fortemente concentrada em escândalos, investigações e personagens próximos ao presidente.

Lula poderia ter limitado sua resposta a negar irregularidades, defender o direito de investigação e aguardar a conclusão do inquérito.

Preferiu avançar sobre a origem das informações publicadas e responsabilizar diretamente a Polícia Federal por supostos vazamentos.

A partir daí, uma nova pergunta passa a acompanhar o caso: se o presidente dispõe de elementos para afirmar que integrantes da PF estão vazando uma investigação sigilosa envolvendo seu filho, quais providências serão tomadas para identificar os responsáveis?

Sem essa resposta, permanece registrada uma acusação de peso feita pelo presidente da República, em rede nacional, contra a própria Polícia Federal.