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Mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos voltaram às mãos de traficantes, aponta MP

Ministério Público aponta três formas de desvio de entorpecentes e investiga policiais que teriam utilizado a própria estrutura da Defron.

Mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos teriam sido desviados por policiais civis e entregues a traficantes em Mato Grosso do Sul.

A suspeita integra a Operação Infiltrados II, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (5), e expõe um dos pontos mais graves da investigação: o possível uso da própria estrutura policial para devolver drogas apreendidas ao mercado criminoso.

O episódio ocorreu em setembro de 2025 e envolve entorpecentes que estavam destinados à incineração.

Segundo o Ministério Público, a carga foi desviada antes de chegar à destruição.

A quantidade representa mais de meia tonelada de cocaína que, em vez de ser retirada definitivamente de circulação, teria retornado ao narcotráfico.

Três formas de desviar a droga

A investigação identificou três maneiras pelas quais o esquema teria funcionado.

A primeira ocorria durante as operações policiais. Os agentes investigados teriam retirado parte das drogas apreendidas antes de sua destinação regular.

A segunda envolvia o acesso aos depósitos das delegacias, onde os entorpecentes permaneciam sob custódia do Estado.

A terceira acontecia durante o transporte para incineração, quando as drogas já deveriam estar seguindo para destruição.

Essa última modalidade é especialmente relevante porque envolve uma etapa final da cadeia de custódia dos entorpecentes.

A droga apreendida deve permanecer sob controle oficial até que sua destinação seja concluída.

Segundo o Gaeco, policiais investigados teriam utilizado o acesso proporcionado pelas funções públicas para retirar o material e entregá-lo a traficantes.

O que aconteceu em setembro de 2025

O Ministério Público identificou um episódio em que mais de 500 quilos de cocaína teriam sido desviados de uma carga destinada à incineração.

A quantidade é um dos principais elementos divulgados na segunda fase.

Até agora, porém, o Gaeco não apresentou publicamente todos os detalhes da ocorrência.

Não foram esclarecidos, nas informações disponibilizadas, o peso exato da carga original, a quantidade que efetivamente chegou à destruição, os responsáveis por cada etapa do transporte e o destino final da droga desviada.

Também não foi divulgada uma estimativa oficial do valor comercial dos entorpecentes envolvidos nesse episódio.

Essas informações serão importantes para dimensionar o prejuízo causado pelo suposto esquema.

A investigação vai além de uma única apreensão

Embora o episódio de setembro seja o mais expressivo divulgado até agora, a Operação Infiltrados II investiga condutas praticadas entre junho de 2025 e maio de 2026.

Portanto, o período apurado compreende aproximadamente 12 meses.

O Ministério Público não informou o volume total de drogas que teria sido desviado durante todo esse intervalo.

Também não esclareceu se outras cargas de grande porte foram identificadas.

A investigação atinge nove policiais civis que estavam lotados na Defron e inclui o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, ex-chefe da unidade.

A pergunta que fica para a segurança pública

O caso coloca em discussão a fiscalização sobre as drogas apreendidas.

Uma carga de cocaína pode passar por diferentes etapas até sua destinação final, incluindo apreensão, registro, pesagem, armazenamento, transporte e destruição.

A suspeita de desvio em qualquer uma dessas fases exige a apuração de como os controles foram executados e de quem tinha acesso ao material.

No caso investigado pelo Gaeco, será necessário esclarecer como mais de 500 quilos de cocaína teriam sido retirados de uma carga destinada à incineração.

A identificação de eventuais falhas nos procedimentos pode ajudar a impedir que situações semelhantes se repitam.

A Operação Infiltrados II representa mais uma etapa da investigação sobre agentes públicos suspeitos de utilizar suas funções para favorecer organizações criminosas.

O Ministério Público ainda não divulgou o destino final da meia tonelada de cocaína nem os valores que teriam sido movimentados com sua comercialização.