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Quem é Guilherme Scucuglia, delegado que comandou a Defron e virou alvo da Operação Infiltrados II

Guilherme Scucuglia Cezar esteve à frente da delegacia especializada em 2025, período que coincide com parte dos fatos investigados pelo Ministério Público.

O delegado Guilherme Scucuglia Cezar, que comandou uma das principais unidades de combate à criminalidade na fronteira de Mato Grosso do Sul, tornou-se um dos nomes centrais da Operação Infiltrados II, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (5).

Ex-chefe da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), Guilherme foi alvo de um mandado de busca e apreensão em um apartamento localizado na Rua Nova Era.

A diligência faz parte de uma investigação que apura a participação de policiais civis em um esquema de desvio de drogas apreendidas, especialmente cocaína, que posteriormente seriam entregues a traficantes.

O Ministério Público investiga fatos ocorridos entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que Guilherme esteve à frente da unidade durante parte do intervalo investigado.

Da Defron à Derf

Em 2025, Guilherme Scucuglia ocupou a chefia da Defron, delegacia especializada no enfrentamento aos crimes de fronteira.

A unidade desempenha papel importante no combate ao tráfico de drogas e a outras atividades criminosas que utilizam a região fronteiriça de Mato Grosso do Sul.

Entre suas atribuições estão investigações e operações voltadas à repressão de crimes associados às rotas utilizadas por organizações criminosas.

A Defron também atua em ocorrências que resultam na apreensão de grandes quantidades de entorpecentes.

Atualmente, conforme as informações divulgadas, Guilherme está lotado na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf).

A mudança de lotação é relevante porque a investigação do Gaeco examina condutas supostamente praticadas quando policiais estavam vinculados à Defron.

Não há, contudo, informação suficiente para afirmar que a transferência do delegado para a Derf tenha ocorrido em razão da investigação.

O que aconteceu no apartamento

Na manhã desta quinta-feira, agentes do Gaeco estiveram na Rua Nova Era para cumprir a ordem judicial de busca e apreensão relacionada ao delegado.

A diligência integra o conjunto de 11 mandados de busca autorizados na Operação Infiltrados II.

O objetivo das buscas é reunir elementos que possam contribuir para a investigação, como documentos, registros e outros materiais eventualmente encontrados e abrangidos pela autorização judicial.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o que teria sido apreendido especificamente no endereço ligado a Guilherme.

Também não há confirmação de que ele tenha sido preso.

A investigação sobre a delegacia que comandou

O principal ponto de interesse do Ministério Público é a suspeita de que policiais lotados na Defron teriam utilizado suas funções para retirar drogas da custódia do Estado.

Segundo o Gaeco, o esquema teria funcionado de junho de 2025 a maio de 2026.

Os investigadores apontam que entorpecentes eram desviados durante operações, diretamente dos depósitos da delegacia ou no transporte para incineração.

Um dos episódios investigados envolve mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos em setembro de 2025.

O Ministério Público sustenta que a carga teria sido desviada e posteriormente entregue a traficantes.

A coincidência entre parte do período investigado e a passagem de Guilherme pelo comando da unidade torna sua inclusão na operação especialmente relevante.

Entretanto, é necessário distinguir a responsabilidade administrativa de um chefe de delegacia da eventual responsabilidade criminal por atos específicos.

Até agora, o Gaeco não divulgou publicamente quais condutas concretas atribui a Guilherme.

Nove policiais que atuaram na Defron também são investigados

Além do ex-chefe da unidade, nove policiais civis foram atingidos por medidas cautelares.

Todos estavam lotados na Defron à época dos fatos investigados.

O Ministério Público não divulgou a relação completa dos agentes nem detalhou individualmente a participação de cada um.

A operação prevê quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão.

As diligências ocorreram em municípios de Mato Grosso do Sul e do Paraná, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense.

O que ainda precisa ser esclarecido

A inclusão de um ex-chefe da Defron entre os investigados coloca questões importantes sobre o funcionamento e a fiscalização da unidade durante o período apurado.

Entre elas estão os procedimentos de controle dos depósitos de entorpecentes, a autorização para movimentação de cargas apreendidas e os registros de transporte para incineração.

Também será necessário esclarecer se os desvios investigados envolveram falhas de fiscalização, falsificação de registros ou outras formas de acesso indevido às drogas.

Essas possibilidades, entretanto, ainda dependem de comprovação e não podem ser atribuídas individualmente ao delegado sem elementos específicos.

Defesa e posicionamento

Até a atualização das informações disponibilizadas, não havia manifestação pública de Guilherme Scucuglia ou de sua defesa sobre a operação.

A Sejusp também não havia apresentado posicionamento atualizado sobre a segunda fase.

O delegado é investigado e teve um endereço alvo de busca e apreensão, mas isso não representa condenação ou comprovação de participação nos crimes apurados.

A Operação Infiltrados II prossegue para esclarecer o papel dos agentes investigados e a extensão do esquema de desvio de drogas na Defron.