Veterano da Assembleia disputa a reeleição pelo PL; santinho obtido pelo O Contribuinte não apresenta indicação para presidente nem para o segundo voto ao Senado.
A série de colinhas eleitorais que chegam ao O Contribuinte ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (30), a apenas quatro dias das eleições de 2026.
Desta vez, o material é do deputado estadual Zé Teixeira (PL), candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
O santinho apresenta exclusivamente Zé Teixeira na disputa proporcional, com seu número 22.121, e, no verso, uma colinha para orientar o eleitor na urna.
O que chama atenção é novamente aquilo que não aparece no material.
A colinha indica Reinaldo Azambuja, 222, para uma das vagas ao Senado, e Eduardo Riedel, 11, para governador. Entretanto, deixa completamente em branco o espaço destinado à segunda escolha para senador.
O campo reservado à Presidência da República também está vazio.

Assim, pelo menos nesse material ao qual O Contribuinte teve acesso, Zé Teixeira não apresenta Flávio Bolsonaro como sua indicação para presidente nem Capitão Contar como segunda escolha para o Senado.
Zé Teixeira disputa reeleição pelo PL
O caso chama atenção porque Zé Teixeira concorre justamente pelo Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro e que tem Jair Bolsonaro como uma de suas principais referências nacionais.
Veterano da Assembleia Legislativa, Zé Teixeira está entre os nomes experientes da política sul-mato-grossense e busca mais um mandato como deputado estadual.
Na colinha, porém, a composição eleitoral não acompanha integralmente os nomes apoiados nacional e regionalmente por lideranças do campo político ao qual o PL está ligado nesta eleição.
Reinaldo aparece. Riedel aparece. Contar e Flávio, não.
Há ainda um terceiro espaço vazio: o destinado ao candidato a deputado federal.
Flávio já cobrou apoio dos candidatos de seu grupo
A ausência do candidato presidencial ganha outro componente depois das declarações dadas pelo próprio Flávio Bolsonaro durante a campanha.
Na semana passada, Flávio afirmou:
“Se tiver candidato aí que não tá botando o número 22 pra presidente na colinha, não vote nele.”
A declaração foi feita no contexto da defesa de uma bancada alinhada ao projeto político de sua candidatura. Flávio argumentou que, caso eleito, precisaria de apoio não apenas no Senado e na Câmara dos Deputados, mas também nos governos e assembleias estaduais.
A posição expressada por Flávio, portanto, é de que candidatos pertencentes ao seu grupo político deveriam apresentar claramente sua candidatura presidencial aos próprios eleitores.
A colinha de Zé Teixeira analisada pelo O Contribuinte não faz isso.
Riedel e Tereza também participam da composição
Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel tem manifestado publicamente apoio à candidatura presidencial de Flávio.
Na semana passada, o governador participou de uma transmissão com Flávio Bolsonaro, Capitão Contar e Tereza Cristina, em uma conversa sobre desenvolvimento do Estado, agronegócio, segurança e fronteira.
Tereza Cristina também participa publicamente da campanha e das articulações desse grupo eleitoral.
Há, portanto, uma diferença objetiva entre a composição defendida publicamente por essas lideranças e aquela apresentada na colinha de Zé Teixeira.
O próprio Riedel está no material, com o número 11.
Flávio, candidato apoiado pelo governador à Presidência, não está.
O Contribuinte seguirá verificando as colinhas
O material de Zé Teixeira chega ao portal depois de outras colinhas analisadas nesta reta final apresentarem situação semelhante.
A quatro dias das eleições, O Contribuinte continuará verificando os materiais de campanha que chegarem à redação e mostrando quais composições estão efetivamente sendo apresentadas aos eleitores.
No caso de Zé Teixeira, o registro é objetivo: o candidato concorre pelo PL, mas a colinha recebida pelo portal não apresenta o 22 de Flávio Bolsonaro para presidente nem Capitão Contar para a segunda vaga ao Senado.
O espaço permanece aberto à campanha de Zé Teixeira para informar se o material representa oficialmente sua campanha, apresentar outras colinhas eventualmente utilizadas e esclarecer por que Presidência da República e segunda vaga ao Senado aparecem sem indicação no santinho analisado pela reportagem.