Presidenciável diz que não basta apoiá-lo nos bastidores e cobra participação explícita de candidatos ligados ao seu grupo político
A quatro dias das eleições, Flávio Bolsonaro voltou a cobrar alinhamento público dos candidatos que fazem parte de seu bloco político e mandou um recado direto aos eleitores: quem integra o grupo, mas não pede voto para o número 22 à Presidência, não deveria receber o apoio do eleitor bolsonarista.
A declaração mais contundente havia sido feita durante a super live promovida por Flávio na semana passada e voltou ao centro do debate nesta quarta-feira (30), depois de o candidato reforçar ao Portal Contribuinte a importância de eleger uma base política alinhada nos diferentes níveis do Legislativo e do Executivo.
Durante a transmissão, Flávio foi direto:
“Se tiver candidato aí que não tá botando o número 22 pra presidente na colinha, não vote nele. Já tô dando a dica aqui.”
A fala aconteceu enquanto o candidato apresentava aos espectadores as chapas estaduais apoiadas por seu grupo.
No caso de Mato Grosso do Sul, Flávio pediu votos para Eduardo Riedel ao Governo do Estado, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja ao Senado e também orientou o eleitor a escolher candidatos a deputado federal e estadual alinhados ao projeto político defendido por ele.
“Tem que pedir voto pro 22”
A cobrança não ficou restrita a uma frase.
Logo depois, Capitão Contar lembrou que Tereza Cristina já havia cobrado posicionamento semelhante de integrantes do grupo em reuniões políticas.
Flávio então reforçou:
“É isso aí. Tem que pedir voto pro 22.”
A mensagem exposta durante a live foi clara: para Flávio, o apoio político não deve ficar apenas nos bastidores. Candidatos que fazem parte das chapas e alianças organizadas em torno de sua candidatura deveriam, segundo ele, demonstrar publicamente esse apoio e incluir o número presidencial em seus materiais de campanha.
Base para governar
Nesta quarta-feira (30), segundo contexto repassado ao Portal Contribuinte, Flávio voltou a defender a necessidade de uma base política ampla para um eventual governo.
A avaliação do candidato é de que vencer a eleição presidencial, isoladamente, não seria suficiente para colocar em prática seu programa.
Na visão apresentada por Flávio, um governo precisa ter maioria ou uma base suficientemente forte na Câmara dos Deputados e no Senado para aprovar projetos, além de interlocução com governadores e assembleias legislativas nos Estados.
É justamente nesse contexto que ele vem defendendo a eleição de candidatos que estejam explicitamente alinhados ao seu projeto político.
Durante a super live, a lógica ficou visível quando o presidenciável apresentou Estado por Estado os nomes de candidatos ao Senado, aos governos e ao Legislativo que fazem parte de seu grupo.
Mato Grosso do Sul entrou na “colinha”
Durante o bloco de Mato Grosso do Sul, Flávio apresentou uma “colinha” com seus candidatos no Estado.
Ele pediu votos para Capitão Contar, número 221, e Reinaldo Azambuja, 222, ao Senado, além de Eduardo Riedel, número 11, para governador.
“Governador é o nosso Eduardo Riedel, número 11, gente”, disse.
Flávio também orientou o eleitor a escolher candidatos a deputado federal e estadual que estivessem alinhados com seu grupo político.
“Escolha um deputado federal, estadual, que seja alinhado com a gente, que vista a camisa do Brasil e seja do nosso grupo”, declarou.
Foi logo depois dessa orientação que veio a frase mais forte:
“Se tiver candidato aí que não tá botando o número 22 pra presidente na colinha, não vote nele.”
Recado aos próprios aliados
A fala pode ser interpretada como um recado especialmente direcionado aos candidatos que integram partidos ou chapas ligadas ao bloco de apoio de Flávio, mas que evitam associar sua campanha local à disputa presidencial.
Em vez de aceitar apoios considerados apenas formais ou de bastidores, Flávio passou a cobrar demonstração pública de alinhamento.
Esse movimento aparece justamente na reta final da campanha, quando candidatos a deputado federal, deputado estadual, Senado e governos estaduais intensificam a distribuição de “colinhas” e materiais com os números que recomendam ao eleitor.
Para Flávio, esses materiais também funcionam como demonstração de pertencimento ao seu projeto político.
Portal abre espaço para informações
A declaração também lança um desafio aos próprios candidatos que se apresentam ao eleitorado como integrantes do campo político de Flávio Bolsonaro.
O Portal Contribuinte acompanha, nesta reta final, os materiais de campanha e as manifestações públicas dos candidatos que integram as alianças e chapas de apoio ao presidenciável.
Leitores que identificarem candidatos que publicamente afirmam integrar esse bloco político, mas não estejam incluindo a candidatura presidencial de Flávio em suas colinhas ou materiais eleitorais, podem encaminhar os registros à redação.
As informações recebidas serão verificadas jornalisticamente antes de eventual publicação.
A cobrança feita pelo próprio Flávio, porém, já está registrada de forma inequívoca:
“Se tiver candidato aí que não tá botando o número 22 pra presidente na colinha, não vote nele.”