Caarapó, Fátima do Sul, Deodápolis, Juti, Anaurilândia e Japorã passam a integrar a nova frente de apuração. Juntos, os contratos com a Editora Avante somam cerca de R$ 2 milhões.
A Operação Gutenberg está longe de terminar.
Mesmo após o recebimento da denúncia que transformou 17 investigados em réus, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) abriu uma nova frente de investigação e passou a analisar contratos firmados entre a Editora Avante e outras seis prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Entraram na nova etapa da apuração os municípios de:
Anaurilândia;
Japorã;
Fátima do Sul;
Deodápolis;
Caarapó;
Juti.
Somados, os contratos alcançam aproximadamente R$ 2,1 milhões.
O avanço demonstra que, para o Ministério Público, a investigação não se encerrou com a denúncia apresentada à Justiça. Pelo contrário: a força-tarefa continua reunindo documentos, analisando contratos e verificando se o modelo investigado se repetiu em outros municípios.
Os novos contratos analisados
Segundo os documentos da investigação, os contratos analisados nesta nova fase são:
Anaurilândia – R$ 232.530,00;
Japorã – R$ 226.480,00;
Fátima do Sul – R$ 244.020,00;
Deodápolis – R$ 474.876,00;
Caarapó – R$ 589.392,00;
Juti – R$ 392.920,00.
Os seis contratos somam aproximadamente R$ 2,16 milhões em recursos públicos.
A investigação continua crescendo
O fato de um município entrar no radar do Gaeco não significa, por si só, que seu prefeito ou servidores tenham cometido irregularidades.
Nesta etapa, o Ministério Público busca reconstruir como ocorreram as contratações, quais documentos justificaram as compras, quais agentes públicos participaram dos processos administrativos e como ocorreu a execução dos contratos.
Dependendo dos elementos encontrados, a investigação poderá ser aprofundada.
O padrão investigado
Segundo a denúncia já recebida pela Justiça, o Gaeco sustenta que a Editora Avante teria sido utilizada para direcionar contratos públicos de livros paradidáticos.
A investigação aponta que o grupo movimentou aproximadamente R$ 27,4 milhões em contratos públicos e utilizava diferentes mecanismos para firmar contratações por inexigibilidade de licitação.
Outro eixo da investigação envolve a suspeita de utilização da estrutura da Regulação Estadual da Saúde para influenciar negociações com gestores municipais.
Foi justamente esse conjunto de provas que levou 17 pessoas a se tornarem rés nesta semana.
Cidades que já apareceram nas conversas
O avanço para os seis novos municípios chama atenção porque alguns deles já haviam aparecido em diálogos recuperados pelo Gaeco.
É o caso de Caarapó, que surge em conversas entre Ed Carlo Britto Burgatt e Gabriel Taquino de Paula.
Já Fátima do Sul ganha relevância porque envolve o ex-prefeito Júnior Vasconcelos, hoje réu na Operação Gutenberg e ex-assessor do deputado estadual Jamilson Name.
Esses capítulos deverão ser aprofundados nas próximas reportagens de O Contribuinte.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema que, segundo o Ministério Público, movimentou aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos de livros paradidáticos firmados com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
O Gaeco apura crimes como organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
As investigações seguem em andamento e todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.