Uma das principais linhas da Operação Gutenberg tenta responder uma pergunta considerada central pelos investigadores:
Quem realmente operava a Editora Avante?
No papel, a empresa estava registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia.
Segundo o relatório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), porém, quem aparecia no dia a dia conduzindo a parte financeira, mantendo contato com bancos, administrando cartões, senhas e aplicativos era Francisco Anízio dos Santos.
A investigação apura um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro que teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos.
A dona formal
Conforme o relatório, a Editora Avante foi registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia.
Durante a investigação, o Gaeco passou a analisar se ela exercia efetivamente a administração da empresa ou se figurava apenas como proprietária formal.
Os investigadores apontam que Rhayane mantinha relacionamento com Heyder Bartz, filho de Rossana Paroschi Jafar, uma das pessoas apontadas pelo Ministério Público como integrante do núcleo de liderança da organização investigada.
Esse vínculo familiar passou a integrar uma das linhas de apuração do caso.
Quem aparecia operando a empresa
Enquanto Rhayane figurava oficialmente como proprietária, o relatório descreve outro personagem exercendo a rotina operacional da empresa.
Segundo o Gaeco, Francisco Anízio concentrava praticamente toda a estrutura bancária da Editora Avante.
Ele teria acesso às contas bancárias.
Conhecia as senhas.
Administrava os cartões.
Operava os aplicativos bancários.
Mantinha contato direto com os gerentes das instituições financeiras.
E, segundo a investigação, acompanhava a movimentação financeira da empresa.
Para os promotores, esse conjunto de elementos indica que Anízio exercia um papel operacional muito superior ao de um simples colaborador.
Rhayane consultava Anízio
As mensagens reproduzidas no relatório reforçam essa conclusão.
Em diversos diálogos, Rhayane procura Francisco Anízio para tirar dúvidas sobre movimentações bancárias da empresa.
Segundo o Gaeco, ela o consulta sobre procedimentos relacionados às contas da Editora Avante, aplicativos bancários e operações financeiras.
Para os investigadores, os diálogos ajudam a explicar quem conduzia, na prática, a rotina financeira da empresa.
Um operador, segundo o Gaeco
A importância atribuída a Francisco Anízio não se limita às contas bancárias.
Em outro trecho do relatório, o Ministério Público afirma que, ao lado de Rossana Paroschi Jafar e Heyder Bartz, Anízio foi identificado como um dos líderes da suposta organização criminosa.
“Ao lado de Rossana Paroschi Jafar, vê-se a atuação de Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos como decisivos para todo o esquema criminoso, pelo que foram identificados como líderes da organização criminosa (…)”, registra o Gaeco.
Na avaliação dos investigadores, enquanto Rhayane aparecia formalmente como proprietária da empresa, Francisco Anízio era quem operava parte relevante da estrutura financeira utilizada pela Editora Avante.
O empresário
Além do papel descrito pelo Ministério Público na investigação, Francisco Anízio é sócio de pelo menos três empresas registradas em seu nome:
- Movi Rent a Car Locação de Veículos;
- 7 Irmãos Engenharia e Serviços;
- Centro Automotivo Sul.
A existência dessas empresas, por si só, não representa qualquer irregularidade. Elas passam a ter relevância jornalística porque integram o contexto da investigação conduzida pelo Gaeco.
A peça que faltava
Ao cruzar mensagens, documentos empresariais, movimentações financeiras e registros bancários, o Ministério Público tenta demonstrar que havia uma diferença entre quem aparecia formalmente como dona da empresa e quem, segundo a investigação, exercia sua administração financeira no cotidiano.
É justamente essa diferença que transformou Francisco Anízio em um dos personagens centrais da Operação Gutenberg.