Esquema simulava consumo de refeições para inflar repasses públicos
A segunda fase da Operação Lucro Espúrio, deflagrada pela Polícia Federal, trouxe à tona detalhes de como funcionaria o suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de alimentação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
De acordo com a investigação, o núcleo da fraude estaria na simulação de consumo de refeições subsidiadas, mecanismo que permitia inflar artificialmente os valores pagos com recursos públicos.
Simulação de consumo e “alunos fantasmas”
O ponto central do esquema, segundo a PF, era o uso indevido de dados de estudantes. Materiais apreendidos indicam que informações e carteirinhas de cerca de 150 alunos teriam sido utilizadas para registrar retiradas de refeições que não ocorreram na prática.
Com isso, o sistema apontava um volume maior de atendimentos do que o real, gerando pagamentos indevidos com base em consumo fictício.
Na prática, funcionaria assim:
– dados de alunos eram inseridos ou reutilizados sem autorização;
– refeições eram registradas como retiradas diariamente;
– o número inflado justificava repasses maiores de dinheiro público;
– a diferença entre o serviço real e o registrado poderia ser desviada.
Contratos como base do esquema
A investigação também aponta que o esquema se sustentava em contratos administrativos firmados com a universidade, especialmente aqueles voltados à assistência estudantil.
Esses contratos preveem pagamento conforme a quantidade de refeições fornecidas — o que, segundo a PF, teria sido explorado para viabilizar a fraude.
Estrutura e medidas judiciais
Embora os nomes dos investigados não tenham sido divulgados, a Polícia Federal indica a existência de uma estrutura organizada, possivelmente envolvendo empresas e operadores responsáveis pela execução dos contratos.
Como resposta inicial, a Justiça determinou:
– bloqueio de cerca de R$ 6 milhões em bens;
– suspensão de contratos vigentes;
– proibição de novos contratos com o poder público;
– aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão.
Investigação em andamento
A PF agora aprofunda a análise de documentos, movimentações financeiras e vínculos entre os investigados para identificar o fluxo do dinheiro e o grau de participação de cada envolvido.
A Operação Lucro Espúrio ainda está em fase inicial de desdobramentos, mas já indica um possível esquema estruturado que teria explorado um programa social sensível — voltado justamente a garantir alimentação para estudantes em situação de vulnerabilidade.