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Diretor financeiro preso e advogado alvo de buscas já eram questionados por ostentação

Rinaldo Romano, diretor financeiro da Santa Casa, tinha frota avaliada em aproximadamente R$ 455 mil; funcionários também relatavam mudança expressiva no padrão de vida de Paulo Duarte Cruz, ligado à corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde.

Meses antes de a Operação Antidotum atingir a estrutura da Santa Casa de Campo Grande, funcionários da instituição já procuravam o Portal O Contribuinte para relatar incômodo com aquilo que classificavam como ostentação e elevado padrão de vida de pessoas relacionadas à administração do hospital.

Dois nomes apareciam entre esses questionamentos: Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro da Santa Casa, e Paulo da Cruz Duarte, advogado ligado à Duarte & Cruz, que se apresentava publicamente como corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde.

Nesta sexta-feira (11), ambos foram alcançados pelos desdobramentos da Antidotum, mas de maneiras diferentes.

Rinaldo Hakme Romano foi preso preventivamente.

Paulo da Cruz Duarte foi alvo de diligências de busca e apreensão, mas não foi preso.

A defesa do advogado informou ao O Contribuinte que foram cumpridas medidas de busca e apreensão de documentos no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde. Segundo a manifestação, não consta, na decisão judicial e nos documentos disponibilizados à defesa até o momento, mandado de prisão ou decretação de prisão preventiva contra Paulo.

Rinaldo tinha aproximadamente R$ 455 mil em veículos

No caso de Rinaldo, parte dos questionamentos pôde ser verificada documentalmente.

Levantamento publicado pelo O Contribuinte identificou quatro veículos vinculados ao diretor financeiro, avaliados à época em aproximadamente R$ 455 mil a partir de registros consultados e valores de referência da Tabela FIPE.

O patrimônio incluía um BMW 320i M Sport 2023, avaliado em aproximadamente R$ 277 mil.

Também apareciam uma BMW F 850 GS 2019, estimada em cerca de R$ 52 mil; um Honda Civic EXL 2019, avaliado em aproximadamente R$ 113 mil; e uma Honda Pop 110i, próxima de R$ 11 mil.

A existência dos veículos nunca foi apresentada pelo portal como prova de crime.

O que chamava atenção dos trabalhadores era o contraste.

Rinaldo era justamente o diretor financeiro da Santa Casa enquanto o hospital enfrentava uma crise marcada por atrasos, pressão de fornecedores e necessidade recorrente de novos recursos para manter sua estrutura funcionando.

Ostentação incomodava funcionários

Nos bastidores, segundo relatos recebidos pela reportagem, o assunto não se restringia aos veículos registrados em nome de Rinaldo.

Funcionários relatavam incômodo com aquilo que consideravam ostentação e exposição de um padrão elevado de vida por pessoas relacionadas à administração justamente quando trabalhadores cobravam pagamentos e ouviam da instituição que faltavam recursos.


Era esse contraste que alimentava as reclamações.

O questionamento feito pelos funcionários não era simplesmente sobre alguém possuir um carro caro, viajar ou adquirir patrimônio. A indignação relatada à reportagem estava ligada ao momento vivido pela Santa Casa e às funções ocupadas pelas pessoas citadas.

Paulo também passou a ser citado

Paulo Duarte Cruz também passou a aparecer nessas reclamações.

Funcionários ouvidos pelo portal relatavam ter observado, em um período relativamente curto, uma mudança expressiva no padrão de vida atribuído a Paulo, com referências a veículos, imóveis e viagens internacionais.

Os relatos mencionavam uma evolução percebida ao longo de aproximadamente um ano e meio a dois anos.

Diferentemente da frota de Rinaldo, cuja existência foi objeto de levantamento documental específico do portal, as informações sobre imóveis, carros e viagens atribuídas a Paulo chegaram ao O Contribuinte como relatos e denúncias de funcionários.

Paulo estava ligado à corretora exclusiva da Santa Casa Saúde

Havia, entretanto, uma relação comercial publicamente identificável.

A Duarte & Cruz Soluções, ligada a Paulo Duarte Cruz, apresentava-se em seu próprio perfil nas redes sociais como:

“Corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde.”

A empresa divulgava o plano, canais comerciais e conteúdos relacionados à sua contratação.

Essa relação passou a ganhar ainda mais relevância nesta sexta-feira porque uma das principais frentes da Operação Antidotum envolve justamente negócios realizados pela Operadora Santa Casa Saúde.

Paulo da Cruz Duarte, por sua vez, não foi preso. Sua defesa confirmou apenas o cumprimento de medidas de busca e apreensão de documentos.

Foi presa Beatriz Lemes da Silva, diretora-executiva do Plano Santa Casa Saúde.

Endereço de Paulo também havia chamado atenção

Outro elemento envolvendo Paulo já havia provocado questionamentos.

Registros públicos consultados pelo O Contribuinte mostraram seu escritório na Rua Hélio Yoshiaki Ikeziri, nº 34, sala 403, Royal Park, em Campo Grande.

O mesmo endereço havia aparecido anteriormente em registros relacionados à atividade profissional de Alir Terra Lima, antes de ela assumir a presidência da Santa Casa.

Alir foi presa na Operação Antidotum nesta sexta-feira.

Além disso, diferentes empresas relacionadas ao mercado da saúde apareciam registradas naquele endereço, entre elas DR Tele Saúde, DR Smart Saúde, Deissê Medicamentos, Health Life Planos de Saúde e Santa Cruz Saúde – Gestão em Planos de Saúde.

Agora, Rinaldo e Paulo foram alvos

O cenário mudou nesta sexta-feira.

Rinaldo Romano e Paulo Duarte Cruz, dois dos nomes que já apareciam nas reclamações recebidas pelo portal, foram alvos da Operação Antidotum.

O Gecoc investiga, entre outras frentes, um contrato de digitalização de prontuários no valor total de R$ 5,4 milhões, no qual o suposto desvio identificado no primeiro ano seria de R$ 1,4 milhão.

Outra frente alcança diretamente a Santa Casa Saúde.

Segundo os investigadores, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões somente em 2025 a empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico. O prejuízo mínimo calculado até agora seria de R$ 3,5 milhões.

O Gecoc afirma ainda que o proprietário dessas empresas tinha ligações com a diretoria da Santa Casa e que os CNPJs estavam registrados em um mesmo endereço, onde o imóvel estaria desocupado.

As defesas dos investigados têm espaço aberto para apresentar esclarecimentos tanto sobre as prisões quanto sobre os relatos e informações patrimoniais anteriormente publicados.