Gaeco cumpriu mandados em endereços ligados ao ex-prefeito e também realizou diligências na Assembleia Legislativa.
Um dos nomes que mais chamaram atenção na Operação Gutenberg foi o do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido politicamente como Júnior Vasconcelos.
Com passagem pela Prefeitura de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, o ex-chefe do Executivo municipal atualmente é servidor da Polícia Civil cedido para atuar no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Na manhã desta terça-feira (7), ele passou a integrar a lista de investigados da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura a atuação de uma suposta organização criminosa responsável por fraudes em contratações públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Trajetória política
Antes de chegar à Prefeitura de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos construiu carreira na vida pública.
Em suas redes sociais, apresenta-se como ex-fuzileiro naval, escrivão da Polícia Civil, vereador mais votado nas eleições de 2008 e prefeito do município entre 2013 e 2016.
Após deixar o comando do Executivo municipal, permaneceu na vida pública e atualmente exerce funções administrativas no gabinete do deputado estadual Jamilson Name, em razão de cessão funcional da Polícia Civil.
Sua ligação com o gabinete parlamentar ganhou destaque após o cumprimento de mandados durante a Operação Gutenberg.

O que investiga o Ministério Público
Segundo o MPMS, a organização criminosa investigada teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos públicos considerados suspeitos.
Conforme a investigação, empresários coordenariam o esquema e contariam com a participação de agentes públicos para direcionar contratações de livros paradidáticos e outras aquisições realizadas com recursos públicos.
Também são apurados crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em procedimentos administrativos.
Até o momento, o Ministério Público não detalhou, publicamente, qual seria a participação específica atribuída a cada um dos investigados.
Mandados em Campo Grande e interior
As diligências ocorreram simultaneamente em diversos municípios de Mato Grosso do Sul, além de São Paulo e Goiás.
Em Campo Grande, equipes do Gaeco realizaram buscas em imóveis ligados aos investigados, no Complexo Regulador Estadual (Core), em empresa privada e também em dependências relacionadas ao gabinete parlamentar onde Júnior Vasconcelos atua como servidor cedido.
As buscas tiveram apoio do Batalhão de Choque e do Bope.
Repercussão política
A presença de um servidor cedido ao gabinete de um deputado estadual entre os investigados rapidamente repercutiu nos bastidores políticos da Assembleia Legislativa.
Embora o parlamentar não figure entre os investigados, a operação acabou atraindo atenção para a estrutura do gabinete em razão da atuação funcional de Júnior Vasconcelos.
Em nota oficial, Jamilson Name afirmou que não possui qualquer relação com os fatos investigados pelo Ministério Público, esclarecendo ainda que Júnior Vasconcelos não ocupa a chefia de gabinete, exercendo funções administrativas por meio de cessão da Polícia Civil.
Investigação continua
A Operação Gutenberg representa uma das maiores investigações recentes do Ministério Público envolvendo contratos públicos nas áreas da Saúde e da Educação em Mato Grosso do Sul.
Com a apreensão de documentos, computadores, celulares e demais materiais durante o cumprimento dos mandados, a expectativa é de que o MPMS amplie a análise do material para definir os próximos passos da investigação.
Até eventual denúncia, julgamento e decisão definitiva, todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.