Flávio defendeu classificar facções como organizações terroristas e reduzir a maioridade penal em casos específicos; Lula citou morte de criança e defendeu a PEC da Segurança Pública.
O terceiro bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado na noite desta sexta-feira (23), teve novos embates entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os candidatos discutiram três temas centrais: endividamento dos brasileiros, educação em tempo integral e retomada de territórios dominados por organizações criminosas.
Flávio abriu o bloco questionando a política econômica do atual governo e associando o aumento das dívidas das famílias ao custo de vida e às taxas de juros. Lula respondeu defendendo medidas de estímulo ao consumo, iniciativas de renegociação de dívidas e ações contra os efeitos das apostas online na renda dos trabalhadores.
Na educação, os dois divergiram sobre os investimentos em escolas de tempo integral e a continuidade de programas federais. Já na segurança pública, o confronto ganhou um tom mais intenso, com discussões sobre violência policial, classificação de facções como organizações terroristas, redução da maioridade penal e combate às milícias.
Endividamento: Flávio critica custo de vida e Lula defende medidas de recuperação econômica
Flávio Bolsonaro iniciou o terceiro bloco perguntando se Lula não tinha vergonha da situação de endividamento enfrentada pela população brasileira.
O presidente respondeu que seu objetivo é garantir que os brasileiros voltem a consumir, tenham renda e participem da atividade econômica.
Flávio rebateu criticando programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil, e afirmou que a situação econômica das famílias se agravou durante o atual governo.
O candidato utilizou uma comparação para ilustrar o impacto da inflação no cotidiano dos trabalhadores.
Segundo ele, antigamente os brasileiros parcelavam a compra de uma geladeira, enquanto atualmente precisam parcelar os alimentos que colocam dentro dela.
Flávio também mencionou consumidores que recorrem ao parcelamento de refeições por aplicativos de entrega e citou reclamações relacionadas a financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal.
O candidato responsabilizou os juros elevados e a política econômica do governo Lula pelas dificuldades financeiras da população. Também acusou o presidente de ampliar os gastos públicos e realizar novas promessas na reta final da campanha.
Ao longo da intervenção, Flávio retomou uma crítica recorrente à campanha de Lula em 2022, afirmando que o presidente prometeu melhorar o acesso dos brasileiros a alimentos, incluindo a chamada “picanha”, mas não teria cumprido essa expectativa.
Flávio propõe transformar a Caixa em um “banco da prosperidade”
Ainda no tema econômico, Flávio anunciou que pretende transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de incentivo à prosperidade e ao empreendedorismo.
O candidato defendeu a ampliação do crédito para moradores de comunidades e trabalhadores que desejam formalizar suas atividades.
Ao apresentar a proposta, afirmou que as favelas possuem grande potencial econômico e precisam de oportunidades para gerar renda e desenvolver negócios.
Flávio prometeu financiamentos com juros mais baixos e políticas para estimular o empreendedorismo nas periferias.
Lula respondeu questionando a proposta do adversário de comprar dívidas da população junto aos bancos e refinanciá-las.
O presidente voltou a defender medidas de recuperação econômica e abordou os efeitos das apostas online sobre o orçamento familiar.
Lula afirmou que seu governo tomou medidas para combater as chamadas bets, argumentando que as plataformas prejudicam financeiramente milhões de brasileiros.
O presidente também acusou Flávio de se posicionar contra medidas restritivas às apostas.
Flávio rebateu associando a expansão dos jogos online ao período do governo Lula e acusou o presidente de adotar uma postura mais rigorosa somente na reta final da eleição.
As afirmações sobre o encerramento das bets e a responsabilidade pela expansão das apostas exigem conferência da legislação e das medidas efetivamente adotadas.
Educação integral: Lula defende investimentos e Flávio promete tecnologia, esportes e creches
O segundo tema do bloco foi o ensino em tempo integral, escolhido por Lula.
Durante a formulação da pergunta, houve uma intervenção do mediador César Tralli, que lembrou ao presidente que o assunto determinado para aquela rodada era especificamente a educação integral.
Lula questionou Flávio sobre quais medidas adotaria para ampliar o acesso dos estudantes às escolas de tempo integral.
O candidato do PL respondeu criticando a gestão educacional do governo Lula e questionou supostos cortes de recursos destinados à modalidade.
Também voltou a abordar a regulamentação dos jogos online, responsabilizando politicamente o atual governo pela expansão das plataformas de apostas.
Na resposta, Lula defendeu o histórico de investimentos educacionais de suas administrações e afirmou que pretende continuar ampliando a oferta de escolas de tempo integral.
O presidente destacou a importância de manter crianças e adolescentes por mais tempo no ambiente escolar, com acesso a atividades complementares.
Flávio rebateu afirmando que o adversário não havia apresentado respostas concretas às críticas sobre o financiamento da modalidade.
Pé-de-Meia, inteligência artificial e valorização dos professores
Flávio também aproveitou a discussão para negar que pretenda encerrar o programa Pé-de-Meia, destinado a incentivar a permanência de estudantes no ensino médio.
O candidato afirmou que manterá o benefício e prometeu investimentos em educação, formação tecnológica e valorização dos profissionais do magistério.
Ao mencionar o governo Jair Bolsonaro, Flávio destacou reajustes salariais concedidos aos professores durante a administração de seu pai.
O candidato também defendeu a ampliação da oferta de creches, inclusive por meio de bolsas para famílias que precisam de atendimento infantil.
Entre suas propostas para o ensino integral, Flávio mencionou atividades envolvendo inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos, esportes e jogos eletrônicos educativos.
Segundo ele, essas iniciativas poderiam ser desenvolvidas em parceria com empresas, oferecendo novas oportunidades de aprendizagem no contraturno escolar.
Lula, por sua vez, manteve a defesa da expansão da educação pública e dos investimentos federais em escolas de tempo integral.
Segurança pública: facções, maioridade penal e violência policial elevam tensão
O último tema do terceiro bloco foi a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
Flávio Bolsonaro iniciou a discussão questionando o posicionamento de Lula sobre saídas temporárias de presos, redução da maioridade penal e classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
O candidato acusou o presidente de adotar políticas de segurança excessivamente brandas e perguntou por que, em sua avaliação, o governo não prioriza o endurecimento das leis contra criminosos.
Lula respondeu trazendo ao debate o caso de Ana Clara, uma criança vítima de violência, cuja mãe, segundo o presidente, estava presente na plateia.
O presidente questionou o posicionamento de Flávio em relação à atuação de policiais envolvidos em mortes de crianças e criticou discursos que, segundo ele, poderiam estimular a violência policial.
Flávio manifestou solidariedade à família e afirmou que não era possível imaginar a dor enfrentada pela mãe.
O candidato, entretanto, associou a tragédia ao domínio de organizações criminosas sobre comunidades e afirmou que pretende adotar medidas mais rígidas para recuperar esses territórios.
Flávio também defendeu a investigação da morte da criança e a responsabilização dos envolvidos.
Flávio promete penas mais duras e redução da maioridade penal em casos específicos
Durante a resposta, Flávio Bolsonaro apresentou propostas de endurecimento da legislação criminal.
O candidato afirmou que pretende estabelecer pena mínima de oito anos de prisão para roubo de celular, defender a redução da maioridade penal para 14 anos em casos específicos de crimes graves, como estupro, e implementar medidas de castração química para determinados criminosos sexuais.
Flávio também reafirmou a intenção de classificar facções criminosas como organizações terroristas.
Segundo o candidato, o objetivo é ampliar os instrumentos legais disponíveis ao Estado para combater organizações que controlam comunidades e utilizam a violência para intimidar a população.
O candidato voltou a questionar Lula sobre sua posição em relação à redução da maioridade penal e ao tratamento jurídico das facções.
Lula critica propostas de Flávio e defende PEC da Segurança Pública
Lula rebateu afirmando que propostas de endurecimento penal, isoladamente, não resolvem os problemas de segurança do país.
O presidente classificou parte das declarações do adversário como bravatas e defendeu medidas estruturais para enfrentar o crime organizado.
Durante a intervenção, Lula também mencionou pessoas do Rio de Janeiro presentes na plateia e voltou a questionar o histórico político de Flávio no estado.
O presidente criticou a proposta de classificar facções como organizações terroristas, relacionando o tema às possíveis consequências internacionais da medida e à influência dos Estados Unidos na política de segurança brasileira.
Lula afirmou que a estratégia de enfrentamento ao narcotráfico não deve significar a transferência de responsabilidades nacionais para o governo americano.
O presidente também defendeu a PEC da Segurança Pública, apresentada por seu governo, como instrumento para fortalecer a integração entre as forças de segurança e aprimorar o combate ao crime organizado.
Lula acrescentou que o enfrentamento às milícias também deve fazer parte das ações federais.
Terceiro bloco termina com divergências sobre economia, educação e segurança
O terceiro bloco do debate da Globo aprofundou as diferenças entre as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Na economia, Flávio priorizou críticas ao endividamento das famílias, à política de juros e ao custo de vida, apresentando a proposta de transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de incentivo ao empreendedorismo.
Lula defendeu políticas de recuperação da renda e do consumo, além de medidas voltadas ao enfrentamento dos problemas financeiros associados às apostas online.
Na educação, os candidatos discutiram o financiamento do ensino integral. Lula defendeu a expansão das políticas públicas existentes, enquanto Flávio apresentou propostas envolvendo tecnologia, esportes, creches e a manutenção do Pé-de-Meia.
Já na segurança pública, Flávio defendeu penas mais rigorosas, redução da maioridade penal para determinados crimes e classificação de facções como organizações terroristas. Lula criticou essas medidas, questionou a atuação policial em casos de mortes de inocentes e destacou a PEC da Segurança Pública e o combate às milícias.
O debate acontece nesta sexta-feira, 23 de outubro, na reta final do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).