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URGENTE: Fachin tira de Moraes o Inquérito das Fake News após sete anos

Portaria nº 189, assinada nesta quarta-feira (9), revoga a delegação concedida a Alexandre de Moraes em 2019; inquéritos e procedimentos preliminares vinculados ao Inquérito 4.781 retornam à Presidência do STF, enquanto ações penais já instauradas permanecem com o ministro.

Uma decisão tomada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, muda nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, a estrutura de um dos inquéritos mais controversos da história recente da Corte.

Depois de aproximadamente sete anos, o ministro Alexandre de Moraes deixa de conduzir o Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News e chamado por críticos de “Inquérito do Fim do Mundo”.

Fachin assinou a Portaria nº 189, de 9 de setembro de 2026, revogando expressamente a designação de Moraes prevista na parte final da Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019.

Foi justamente aquele ato, editado há sete anos, que instaurou o Inquérito 4.781 e entregou sua condução a Alexandre de Moraes.

Agora, essa delegação está revogada.

“Fica revogada”

O artigo 1º do novo ato não deixa dúvidas sobre a mudança:

“Fica revogada, a partir desta data, a designação do Ministro Alexandre de Moraes constante da parte final da Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019.”

A portaria foi assinada eletronicamente por Fachin nesta quarta-feira (9), às 16h38.

A decisão ocorre justamente no dia de maior tensão recente dentro do próprio Supremo, marcado pelo confronto de decisões envolvendo André Mendonça, Flávio Dino, a cúpula da Polícia Federal e o caso Banco Master.

Inquéritos derivados também saem das mãos de Moraes

A mudança vai além do Inquérito 4.781 original.

Fachin determinou que inquéritos, petições e outros procedimentos de investigação preliminar em andamento, autuados e distribuídos por prevenção ao Inquérito 4.781, retornem, no estado em que se encontram, para a relatoria da Presidência do STF.

A portaria estabelece:

“Inquéritos, PETs ou outros procedimentos de investigação preliminar em andamento, autuados e distribuídos por prevenção ao Inq. 4.781/DF retornam, no estado em que se encontram, à Relatoria da Presidência.”

Portanto, não se trata simplesmente de trocar o responsável pelo processo original.

O ato alcança também procedimentos investigativos que chegaram a Moraes por vinculação ao Inquérito das Fake News.

Fachin assume e prevê envio à PF e PGR

A portaria estabelece ainda qual será o caminho desses procedimentos.

Depois de analisados pela Presidência do Supremo, os autos deverão ser encaminhados à autoridade policial e, posteriormente, à Procuradoria-Geral da República.

Segundo o documento, a PGR deverá então atuar para:

“oferecimento da denúncia ou requerimento do arquivamento, nos termos da lei e do Regimento Interno.”

É uma mudança significativa no funcionamento de investigações que, durante anos, permaneceram concentradas sob a condução de Alexandre de Moraes.

O que permanece com Moraes

A decisão de Fachin, entretanto, não apaga decisões anteriores nem retira absolutamente todos os processos de Moraes.

O presidente do STF fez duas ressalvas importantes.

Primeiro, a própria ementa da portaria determina a preservação dos “atos regularmente praticados” durante a vigência da delegação.

Segundo, as ações penais já instauradas e com denúncia recebida continuarão sob relatoria de Alexandre de Moraes.

O parágrafo único do artigo 2º estabelece:

“Quanto às ações penais já instauradas, com denúncia recebida, fica mantida a delegação ao Ministro Alexandre de Moraes.”

Assim, o impacto maior ocorre sobre investigações e procedimentos preliminares ainda em andamento, e não sobre ações penais que já ultrapassaram essa fase.

Fachin fundamenta mudança no poder da Presidência

No documento, Fachin recorda que o artigo 43 do Regimento Interno do Supremo atribui ao presidente da Corte competência para instaurar inquéritos nas hipóteses previstas e permite que essa atribuição seja delegada a outro ministro.

O presidente também registra que o próprio Plenário do STF, ao julgar a ADPF 572, reconheceu a constitucionalidade da Portaria nº 69/2019 e da designação de Moraes.

Mas Fachin acrescenta um elemento fundamental.

Segundo a nova portaria, aquela designação constitui:

“forma de delegação da atribuição regimental para a condução daquele feito, passível de cessação por decisão da Presidência”.

Foi exatamente essa prerrogativa que Fachin utilizou nesta quarta-feira.

Sete anos de controvérsia

O Inquérito das Fake News nasceu em 14 de março de 2019, durante a presidência do então ministro Dias Toffoli.

Desde sua criação, tornou-se alvo de uma longa controvérsia jurídica e política, especialmente pela forma de instauração, pela escolha do relator e pela amplitude que as investigações adquiriram ao longo dos anos.

Alexandre de Moraes permaneceu à frente do procedimento durante todo esse período.

O inquérito e seus desdobramentos passaram a atingir empresários, parlamentares, influenciadores e outras figuras públicas e deram origem ou se conectaram a uma série de procedimentos posteriores.

A partir desta quarta-feira, essa estrutura muda.

Decisão acontece no meio da maior crise recente do STF

O momento escolhido para a alteração torna a decisão ainda mais relevante.

Nesta mesma quarta-feira (9), Fachin precisou intervir no conflito envolvendo o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça e posteriormente revertido por Flávio Dino em outro procedimento.

Fachin criticou expressamente a sucessão de decisões individuais conflitantes dentro da Corte.

Segundo o presidente:

“O afastamento das autoridades policiais que ora se examina encadeou decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si.”

Em outro trecho, fez um alerta ainda mais contundente:

“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente.”

Fachin decidiu suspender os comandos conflitantes e centralizar a análise na Presidência.

No mesmo dia, tomou uma segunda medida de enorme repercussão: encerrou a delegação que mantinha Alexandre de Moraes no comando do Inquérito das Fake News desde 2019.

Uma quarta-feira que muda o STF

A sequência desta quarta-feira é incomum.

Pela manhã, Flávio Dino havia interferido na disputa sobre o comando da Polícia Federal e determinado a reintegração de Andrei Rodrigues.

Horas depois, Fachin entrou no caso, suspendeu decisões conflitantes e afirmou ser necessário impedir “conflitos e sobreposições processuais” que ameaçariam a integridade do Tribunal.

E, às 16h38, assinou o documento que encerra um ciclo iniciado em março de 2019.

Alexandre de Moraes não deixa o STF e continuará responsável pelas ações penais já instauradas nas condições previstas pela portaria. Mas perde a delegação que, durante sete anos, o colocou à frente do Inquérito das Fake News e de uma rede de investigações preliminares distribuídas por prevenção ao procedimento.

A partir de 9 de setembro de 2026, esses procedimentos retornam à Presidência do Supremo Tribunal Federal, comandada por Edson Fachin.