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Segunda Turma forma maioria com Mendonça e mantém cúpula da PF afastada; Gilmar pede vista

Fux e Nunes Marques acompanharam o relator; pedido de vista suspende a conclusão formal, mas não revoga a medida cautelar

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, maioria para referendar a decisão do ministro André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.

Luiz Fux e Nunes Marques apresentaram votos antecipados e acompanharam integralmente o relator. Com o voto de Mendonça, o placar chegou a três votos favoráveis aos afastamentos.

Gilmar Mendes pediu vista do processo, suspendendo a conclusão formal do julgamento. Dias Toffoli ainda não havia se manifestado.

A sessão virtual extraordinária havia sido convocada para permanecer aberta até as 23h59 desta terça-feira. O pedido de vista, porém, interrompeu a deliberação antes da proclamação definitiva do resultado.

Maioria está formada, mas julgamento não terminou

Juridicamente, é necessário distinguir duas situações.

A primeira é que já existe uma maioria de três votos para confirmar a decisão de Mendonça. A segunda é que o resultado ainda não foi formalmente proclamado por causa do pedido de vista de Gilmar Mendes.

Mesmo com a interrupção, a cautelar continua produzindo efeitos. Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem afastados, salvo se uma nova decisão do STF suspender expressamente a medida. 

Toffoli, por sua vez, ainda terá de definir se participa da análise. O ministro já declarou impedimento em processos relacionados ao Banco Master, circunstância que poderá alcançar a discussão atual.

Gilmar ganha tempo, mas não muda o placar

O pedido de vista concede a Gilmar Mendes mais tempo para analisar os autos, mas não altera os três votos já apresentados.

Na prática, a iniciativa adia o desfecho institucional de uma decisão com impacto direto sobre o governo Lula e sobre a direção da Polícia Federal. O afastamento do diretor-geral da corporação continua válido, mas a Segunda Turma ainda não concluiu formalmente o referendo.

A decisão de Gilmar também prolonga uma crise que envolve ministros do Supremo, a PGR, a Polícia Federal e autoridades citadas nas mensagens apreendidas no Caso Master.

Respaldo à decisão de Mendonça

A votação parcial tem peso político porque demonstra que André Mendonça não atuou sozinho.

Ao acompanharem o relator, Fux e Nunes Marques reconheceram a necessidade de afastamento preventivo dos dirigentes enquanto são investigadas a elaboração e a circulação dos relatórios de inteligência.

Esses documentos foram utilizados por Alexandre de Moraes para acusar Mendonça de irregularidades. O próprio Mendonça, entretanto, concluiu que o material revelava um monitoramento indevido contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Assim, a tentativa de transformar Mendonça em investigado produziu o efeito inverso: a origem, a autoria e a finalidade dos relatórios passaram a ser questionadas, e a cúpula responsável pelo setor de inteligência da PF foi cautelarmente afastada.

Próximos passos

Gilmar Mendes deverá devolver o processo para continuidade do julgamento. Também será necessário esclarecer a situação de Toffoli e eventuais recursos apresentados pelo governo ou pelos dirigentes afastados.

Até lá, o quadro é objetivo: Mendonça obteve o apoio de Fux e Nunes Marques, abriu três votos a zero e preservou a validade imediata de sua decisão.

Gilmar conseguiu interromper o julgamento. Não conseguiu, até agora, reverter o afastamento.