Investigação aponta 46 transferências Pix para companheira de traficante e suspeita de utilização de comércio de veículos.
A investigação da Operação Infiltrados não se limita ao desvio de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul.
Outra frente importante do trabalho do Gaeco envolve o rastreamento do dinheiro que teria sido obtido com a comercialização desses entorpecentes.
Segundo o Ministério Público, a organização investigada contava com pessoas responsáveis por receber, transferir e movimentar valores suspeitos, utilizando contas bancárias e atividades comerciais.
Entre os investigados aparece Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado como articulador da negociação das drogas desviadas.
A suspeita é que integrantes de seu núcleo familiar tenham participado da circulação dos recursos.
R$ 314 mil em cinco meses
Um dos casos divulgados envolve Rayane Luiz Vieira, companheira de LK.
Conforme a investigação, ela teria recebido R$ 314.308,40 em apenas cinco meses.
O valor foi relacionado a 46 transferências Pix realizadas por outra investigada.
A média aritmética corresponde a aproximadamente R$ 6,8 mil por transferência, embora os valores individuais possam ter sido diferentes.
O Ministério Público suspeita que as movimentações tenham sido utilizadas para ocultar recursos provenientes do tráfico.
A prisão preventiva de Rayane foi substituída por prisão domiciliar, segundo as informações divulgadas sobre o processo.
Mãe e irmã também aparecem na investigação
O núcleo financeiro investigado também envolve Valdenice da Silva Gois, mãe de LK, e Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã dele.
Segundo a acusação, ambas teriam participado de movimentações destinadas a circular e ocultar recursos suspeitos.
Outras investigadas, como Jéssica da Silva dos Santos e Lavínia Carvalho da Luz, também são apontadas como participantes de transações financeiras.
O Gaeco procura demonstrar como esses recursos teriam circulado entre diferentes contas e pessoas.
A existência de transferências bancárias, por si só, não comprova lavagem de dinheiro. A acusação precisa demonstrar a origem ilícita dos valores e a participação consciente de cada investigado.
Garagem de veículos na mira
Outro ponto da investigação envolve um estabelecimento comercial do setor automotivo.
Segundo as informações divulgadas, uma garagem de veículos teria sido utilizada para dar aparência legal aos lucros obtidos com a comercialização de drogas.
O proprietário foi preso durante a primeira fase da operação.
O Ministério Público investiga a suspeita de que operações comerciais tenham sido utilizadas para movimentar ou ocultar dinheiro do tráfico.
Até agora, as informações disponibilizadas não permitem detalhar quais veículos teriam participado das operações suspeitas, seus valores individuais ou a quantidade de transações questionadas.
Transferências para policial também aparecem no documento
A representação cautelar de agosto apresenta outro elemento relevante.
Nas páginas 38 a 40, o Gaeco descreve três créditos bancários atribuídos a LK em benefício do policial civil Neverson Vieira de Araújo.
Os registros citados são de outubro e novembro de 2021 e março de 2022, totalizando R$ 1.500.
O Ministério Público relaciona as movimentações à suspeita de pagamentos ilícitos.
Esse elemento é importante porque a investigação procura identificar não apenas o destino dos lucros do tráfico, mas também possíveis pagamentos feitos a agentes públicos.
A origem e a finalidade dos valores dependem de comprovação no processo.
Dinheiro pode ajudar a esclarecer a organização
O rastreamento financeiro é uma das frentes capazes de esclarecer como o grupo investigado teria funcionado.
Além de identificar os responsáveis pelo desvio das drogas, o Ministério Público procura demonstrar quem negociava os entorpecentes, quem recebia pagamentos e quem participava da movimentação dos recursos.
A investigação financeira também pode revelar relações entre pessoas que não participavam diretamente das apreensões policiais, mas que teriam atuado na estrutura econômica da organização.