O mercado financeiro continua desconfiado dos acenos feitos pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa de um maior controle das contas públicas em um eventual quarto mandato.
Segundo a CNN Brasil, investidores da Faria Lima avaliam que as recentes sinalizações ainda não foram suficientes para mudar a percepção de risco sobre a política fiscal do país. A curva de juros, um dos principais termômetros das expectativas do mercado, permanece praticamente sem alteração há meses.
Lula escalou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para dialogar com empresários e investidores e transmitir a ideia de uma futura gestão mais comprometida com o equilíbrio fiscal. Durigan tem sinalizado até mesmo a possibilidade de tornar o atual arcabouço fiscal mais rígido.
O problema é que o discurso chega em meio a um cenário de crescente preocupação com a dívida pública. O próprio mercado considera que o governo terá dificuldades para controlar despesas diante de gastos obrigatórios elevados e das resistências políticas a medidas consideradas impopulares.
Entre as mudanças defendidas por setores do mercado estão a revisão de despesas obrigatórias, alterações na vinculação de recursos para saúde e educação e mudanças na forma de reajuste de benefícios sociais e previdenciários. São medidas politicamente delicadas e que podem provocar forte reação.
A crítica que pesa sobre o governo é justamente essa: falar em responsabilidade fiscal durante uma campanha eleitoral é muito mais fácil do que apresentar quais gastos serão efetivamente cortados.
O histórico recente também alimenta a desconfiança. Em 2023, a chamada PEC da Transição abriu espaço para uma expansão significativa dos gastos, enquanto o governo passou a defender posteriormente a necessidade de controle das despesas.
Agora, às vésperas da eleição, a equipe econômica tenta convencer o mercado de que um eventual novo governo terá compromisso com o equilíbrio das contas. Mas, até o momento, faltam detalhes sobre quais medidas seriam adotadas e quem pagaria o preço do ajuste.
Para os investidores, portanto, o problema não é apenas o discurso. É a falta de clareza sobre como transformar a promessa de responsabilidade fiscal em números concretos.
Enquanto isso, a dívida continua avançando, os juros permanecem elevados e o espaço para aumentar gastos públicos fica cada vez menor. A desconfiança da Faria Lima, nesse cenário, funciona como um alerta: promessa de ajuste fiscal sem medidas claras dificilmente convence quem precisa colocar dinheiro no país.