Ex-secretário da Sisep, servidores, engenheiros e empresário estão entre os alvos presos pelo Gaeco e Gecoc em investigação sobre contratos que ultrapassam R$ 113 milhões
A operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na manhã desta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, atingiu diretamente antigos integrantes da estrutura da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e empresários ligados aos contratos de manutenção viária em Campo Grande.
Ao todo, sete pessoas foram presas preventivamente durante a ofensiva conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar sistematicamente contratos de tapa-buraco firmados desde 2018.
Segundo os promotores, o grupo manipulava medições técnicas e autorizava pagamentos públicos incompatíveis com os serviços efetivamente executados nas ruas da Capital.
As suspeitas envolvem contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02 entre os anos de 2018 e 2025.
EX-SECRETÁRIO E SERVIDORES DA SISEP ENTRE OS PRESOS
Entre os presos está o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, que comandou a Sisep entre 2017 e 2023 durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV).
Fiorese atualmente ocupava o cargo de diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), mas acabou exonerado pelo Governo do Estado após a prisão.
Além dele, foram presos servidores e ex-servidores diretamente ligados à estrutura técnica da Sisep e aos contratos investigados.
A lista inclui:
Mehdi Talayeh — servidor da Sisep;
Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa — engenheiro civil;
Rudi Fiorese — ex-secretário municipal de Infraestrutura;
Fernando de Souza Oliveira — servidor da Sisep;
Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa — produtor rural e dono da Construtora Rial;
Edivaldo Aquino Pereira — chefe do serviço de tapa-buraco da Sisep;
Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula — ex-servidor da Sisep.

INVESTIGADOS JÁ HAVIAM APARECIDO EM OUTRA OPERAÇÃO
A nova operação também reacendeu investigações anteriores envolvendo contratos públicos da infraestrutura urbana da Capital.
Com exceção de Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, todos os demais presos já são réus na Operação Cascalhos de Areia, deflagrada anteriormente para apurar fraudes em contratos de manutenção de vias não pavimentadas.
Naquela investigação, o Ministério Público denunciou servidores públicos, empresários e operadores por crimes como:
Peculato;
Corrupção;
Fraude à licitação;
Lavagem de dinheiro.
A repetição dos nomes chamou atenção nos bastidores jurídicos e políticos, ampliando a pressão sobre antigos contratos executados dentro da Sisep.
R$ 429 MIL EM DINHEIRO VIVO
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam grandes quantias em dinheiro vivo.
Segundo o Ministério Público, foram encontrados pelo menos R$ 429 mil em espécie.
Somente na residência de Rudi Fiorese havia R$ 186 mil guardados em notas de real.
Outros R$ 233 mil foram localizados em outro endereço alvo da operação.
Agora, os investigadores buscam rastrear a origem do dinheiro e verificar possível ligação com os contratos investigados.
DEFESA CITA OPERAÇÃO ANTERIOR
O advogado Fábio Ferraz, responsável pela defesa de Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira, afirmou que acredita que as prisões tenham relação com fatos ligados à Operação Cascalhos de Areia.
Segundo ele, Erik deixou a Sisep há cerca de quatro anos.
Enquanto isso, a investigação da “Buraco Sem Fim” segue avançando com análise de documentos, computadores, aparelhos celulares e movimentações financeiras apreendidas durante a operação.